19/01/2007 ..

Dia de festa



Hoje é dia de muita festa na casinha laranja, hoje comemoramos dois anos de vida! Difícil explicar o que isso significa para nós, batalhadores diários e loucos sonhadores. Difícil também dimensionar o tamanho que essa conquista tem, não só no quesito durabilidade, mas nas barreiras culturais que foram derrubadas!

Desde que tivemos a coragem de colocar esse sonho em prática e nos lançar todas as noites num vôo livre sem pára-quedas muita coisa mudou. Mesmo dentro da gente não tem um ditado que diz: “crescer dói”? Dói mesmo, mas quando olho para trás, chego sempre à conclusão de que ainda quero muito mais, então, não me resta outra saída senão arregaçar as mangas do meu jaleco e continuar remando.

Hoje é um dia especial, na verdade como todos os dias são naquela casa. A gente vive na expectativa de realizar sonhos e hoje realizamos mais um: o nosso! A gente também merece não é?

Até!
18/01/2007 ..

Tudo muito real ainda!



Da Estrada Real rumo a Angra dos Reis, ou seja, tudo muito real ainda! Velho Peugeot abarrotado, Frederico para lá de excitado e som na caixa, DJ! Fomos nós, a família feliz, rumo à nossa casinha de sapê à beira mar em Angra dos Reis. Alguém acertou? Qual é o prêmio?

Confesso que andar de bicicleta na Toscana teria sido um sonho, mas Angra foi uma pausa necessária e agradável no tempo. A sensação foi daquele cotidiano prazeroso, com o qual a gente sonha sempre estar vivendo.

Eu adoro cotidiano, acho o simples fato da repetição de algo que nos faz bem a glória do viver. Aproveitando essa atmosfera, mergulhei em Marcel Proust e reli “Em busca do tempo perdido”, o que acabou me inspirando na criação da minha coleção para 2007.

Buscar o tempo perdido, trazer para os dias de hoje o melhor do que ficou lá atrás, esse foi sempre o meu grande prazer. Buscar no ontem a modernidade de hoje. Parece loucura? Eu sei, mas por que não tentar?

Os dias em Angra foram deliciosos, Frederico descobriu os encantos do mar, nadou todos os dias em frente a nossa casinha, correu feito um cão selvagem e intensificou o grau de amor por mim de tal maneira que agora passo maus bocados para sair de casa! Comi muito, ou seja, refeições na hora certa e quentes, o que no meu caso é um luxo!

Foram dias de Reis, tanto na Estrada Real, quanto em Angra.

Até!
17/01/2007 ..

Ainda uma história de amor entre Chefs e quiabos!


Essa história de quiabo foi mesmo interessante. Quase todos loucos por quiabo por aqui! Adorei saber, porque nas próximas semanas estaremos estreando algumas novas dimensões do quiabo nas mesas do restaurante e, sendo assim, acho que tenho uma boa chance de não derrapar na sua baba!

Estou realmente encantada com as possibilidades desse ingrediente, suas nuances, sua sensualidade, suas possibilidades. Vocês já se deram conta de quão lindas são as sementes do quiabo? Textura crocante, sabor mais para o amargo do que para o doce, levemente insinuante...

Enfim, estou perdidamente encantada com o quiabo e suas possibilidades de prazer nas nossas vidas. Então irei fundo nessa pesquisa na ânsia de chegar o mais perto possível da sua essência, da sua magnitude, da sua elegância. Estou igual ao Frederico quando pega a sacola de pão na boca. Toda vez que vamos juntos à padaria, aquilo se torna a sua missão, não larga enquanto não chega na porta de casa!

Acabei me empolgando tanto com esse tema que vão faltar caracteres para contar onde fui depois que cruzei a Estrada Real a salvo, o que foi uma sorte, dada à quantidade de água que vem caindo e a fúria dos rios pelos quais passava!

Mas, como diz o Legião Urbana: temos todo tempo do mundo!

Então mais uma chance para vocês tentarem adivinhar... Ah! Adorei a história de estar na Toscana andando de bicicleta, mas devo dizer que está frio!!!!

Até!
16/01/2007 ..

A contemplação do quiabo



Foram dias de contemplação e não poderiam ter sido melhores! Contemplei por alguns dias a história do nosso país embrenhada nos cantinho de Minas Gerais. Penetrei profundamente na essência de um ingrediente que de tão simples pode parecer menos interessante do que é: o quiabo.

Quem poderia ter usado os dias de descanso para contemplar um quiabo?

Eu! E não me arrependo, foi divertidíssimo e profundamente proveitoso! Descobri coisas fantásticas, características interessantíssimas, novas possibilidades, desafios a serem enfrentados na busca pela modernidade da nossa cozinha brasileira.

Também contemplei a excelência da hotelaria ao me hospedar no charmoso Solar da Ponte em Tiradentes. Um sonho de hotel em quase todos os sentidos, o que faltava eles já providenciaram: uma banheira! Adoro banheiras! Então assim eles criaram um novo problema, quem conseguiria me tirar do hotel, se além de banheira, todos os dias às 17h eles servem o famoso chá da tarde, deliciosamente preparado como mandam os ingleses e brasileiramente escoltado por incríveis pães de queijo assados na hora e bolinho de fubá com queijo minas? Um sonho? Estaria eu onde estou?

O hotel estava repleto de franceses, o que me fez pensar que a escolha de viajar pelo Brasil ao invés de rumar para outros horizontes estava para lá de acertada! Afinal de contas, além de clima europeu (choveu como nunca!) e chá da tarde, eu ainda tinha uma banheira à espera do meu corpo cansado no meu quarto! Então uma dúvida profunda me angustiava toda tarde, voltar para o quarto ou seguir meu caminho pela estrada real à procura do quiabo perfeito?

Pé na estrada! Afinal, as infinitas possibilidades do quiabo me esperavam no virar da esquina. Penetrar profundamente na essência de um ingrediente requer delicadeza, conquista e acima de tudo: sonho. O sonho é certamente imprescindível nesse processo, desde a descoberta até a criação. Mas antes que a chuva tomasse conta da estrada real, tomei outros caminhos, ainda com o quiabo na cabeça!


Essa parte fica para amanhã!


Até!
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